segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ai, que absurdo!

Em uma palestra, cujo tema era "Luxo, sustentabilidade e design de interiores", a arquiteta Brunete Fraccaroli (uma das integrantes do reality Mulheres Ricas, da Band) explica o que é luxo. "Luxo é isso aqui", e aparece, no telão, um cachorrinho vestido, todo chique, certamente usando roupas de grife.
Brunete e a cadelinha Sissi: puro luxo!

Gente, é isso mesmo? Sei que a proposta do programa é mostrar o dia a dia e a ostentação dessas mulheres, digamos, bem-sucedidas. Mas a tal Brunete, pelo que andei lendo, é uma renomada arquiteta, ministra diversas palestras sobre ARTE por aí. Dei até credibilidade, mas ela definir luxo como um cachorro de madame, "glamuroso"? HELLO, né? (Quem assistiu a algum episódio desse negócio, vai entender...).

Esse trecho da palestra foi ao ar hoje e não parou por aí. Brunete também fez questão de levar, para contribuir com a palestra, a sua querida Sissi - a cadelinha da raça maltês criada como se fosse uma rainha. É demais pra mim, gente, é muito surreal que uma mulher com esse tipo de comportamento ganhe prêmios e atraia centenas de pessoas às suas palestras.

Algum arquiteto ou qualquer pessoa que entenda/conheça ou já foi a alguma palestra dessa pessoa me explique em que ela contribui de bom para o conhecimento arquitetônico?

Hoje não foi a primeira vez que assisti ao Mulheres Ricas. As participantes despejam absurdos todo o tempo, mas são tão ABSURDOS que chegam a ser engraçados. Esse é o diferencial do programa: mulheres poderosas, gastando, destilando veneno uma contra a outra e sambando na cara da sociedade – que, por sua vez, gargalha do outro lado da telinha. Uma prova de que o brasileiro não só aprecia a desgraça alheia, como muitos pensam.

Mas a partir do momento que uma renomada arquiteta/empresária premiada diz que luxo é um cachorro com roupas de grife, diante de uma plateia de 500 pessoas, muitas especialistas em arquitetura, artes, design... Não tenho mais palavras, a não ser, “AI, QUE ABSURDO!”.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ho ho ho!

Estava eu no ônibus, curtindo a "viagem" até minha casa, quando ouvi, sem querer, uma conversa entre uma criança de mais ou menos cinco anos e a mãe. A mulher apontou para um papai noel que subia na sacada de um apartamento e disse:
-Olha, filha, o Papai Noel está entrando naquela casa!
A menina analisou o bom velhinho e concluiu:
-Não é ele. Ele entra pela chaminé! E além disso está muito pequeno para ser ele...
A mãe ficou intrigada, mas rapidamente argumentou:
-Ele deve ter tomado a pílula para encolher, aquela da boneca Emília, para não chamar muito a atenção. Ou para entrar com mais facilidade nas chaminés.
A menininha olhou mais uma vez para o boneco.
-Onde o Papai Noel mora, mamãe?
-No Polo Norte, um lugar bem gelado. Porquê?
-Ele nem se mexia... É um papai noel de mentirinha. E, mesmo se fosse o de verdade, ele não iria aguentar esse calor do Recife.


UM NATAL BEM FELIZ E "FRESQUINHO" PARA TODOS!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Recomeço

Uma nova fase da minha vida começou: meu estágio na Globo terminou e estou cada vez mais perto de me formar, ser uma jornalista profissional, de fato. Sinto que estou preparada para dar continuidade ao trabalho que comecei na Globo. Nesse ano, adquiri muito conhecimento, experiência, contatos e amizades. Cresci demais naquele ambiente. Correria, pressão, rotina, cansaço e risos. Foi incrível conviver com pessoas maravilhosas que eu sempre admirei - e conhecer outras que eu passei a admirar. Foi um sonho que se tornou realidade. Fazer parte de uma empresa como a Globo não enriqueceu só meu currículo: enriqueceu meu círculo de amizades, me impulsionou para o mundo jornalístico e me fez ter certeza do que eu quero.


E agora? Vou lutar pelos meus sonhos e colocar em prática tudo o que eu aprendi nessa vida. É uma mistura de tristeza por ter que dizer "adeus"; alegria por ter concluído mais uma etapa; alívio por ter conseguido superar mais um desafio; ânsia com aquilo que está por vir... Mas, acima de tudo, sensação de dever cumprido e certeza de que tudo VALEU A PENA!!! :)

domingo, 4 de dezembro de 2011

4 anos e 5 meses

Há 4 anos e 5 meses, a essa hora, eu estava prestes a dar o primeiro beijo no cara que hoje é o meu namorado, de longe o cara mais incrível que eu conheci em toda a minha vida. Desde aquele dia, eu sabia que era algo diferente de tudo que eu já tinha vivido. Digo isso pela intensidade como as coisas aconteceram, tudo tão depressa, porém natural, especial.

E até hoje é assim: crescemos, amadurecemos juntos, lidamos com os defeitos um do outro e, o mais importante, somos felizes do nosso jeito. Um jeito que, para uns, é "fofo", para outros "meloso", mas para gente é ÚNICO.

Como é bom ter alguém com quem contar, sempre, não importa a hora; ter alguém para conversar sobre tudo, TUDO mesmo, sem vergonha de parecer ridícula; como é bom ter um namorado romântico, que faz tudo pra você (é só pedir com jeitinho), te chama por apelidinhos fofos (meu titi), te ajuda com seus problemas - desde aquelas broncas pesadas até os cálculos do cartão de crédito. Um namorado que se encaixa perfeitamente no seu colo, no seu abraço, no seu corpo, que te entende só com o olhar, que se derrete com seu sorriso. E, como se não bastasse minha sorte em encontrar esse cara incrível, ele ainda vem engraçado, sincero, companheiro, inteligente e lindo, do jeitinho que eu sempre pedi a Deus. :)


Mô, obrigada pelos 4 anos e 5 meses mais felizes da minha vida! Te amo!!! :)

sábado, 26 de novembro de 2011

Orgulho não leva a nada

Engraçado, quando a gente vai crescendo, vai aprendendo o significado do verbo "ceder". Eu me considerava uma pessoa até orgulhosa, mas, um certo dia, vi que esse tal de orgulho não leva a nada. Já fui chamada de egoísta várias vezes - por uma pessoa que me conhece como ninguém -, mas hoje eu procuro sempre pensar no que é melhor para mim e para todos que estão ao meu redor. É preciso procurar o equilíbrio, baixar a guarda, pensar além. Hoje, vejo que deixar de fazer uma coisa por orgulho, ou "honra", se preferir, é perder oportunidades, magoar pessoas, criar conflitos inúteis. Às vezes, é preciso dar o braço a torcer e engolir os sapos. Na hora, eles podem não ser saborosos, mas os gostos mudam e até um sapo pode virar um príncipe, certo? Piadinhas à parte, o fato é que a vida não é sempre como queremos, sempre vai ter alguém para nos contrariar. Mas e se essa pessoa tiver muito a nos ensinar? E se, um dia, percebermos que ela estava certa e nós, estávamos sendo movidos pela raiva, infantilidade, mágoa, ORGULHO? E se ela, a pessoa que pensamos ter nos humilhado, é fundamental para nossa felicidade? E se acordamos tarde demais e percebemos que o tempo passou, que não dá mais tempo de fazer a coisa certa? Não custa nada abrir o coração, dar uma chance ao amor, à amizade ou simplesmente ao bom convívio. Todo dia é dia de perdoar e ser feliz!

Até onde vai uma mentira?

Nunca gostei de mentiras, afinal, quem gosta? Todo mundo diz que odeia, mas falar é fácil... Ouço e sei algumas histórias que me surpreendem. Tem gente que acha que todo dia é 1º de abril, né? Gente que se considera "sincera", mas não sabe o limite de parar, e aquela mentirinha acaba tomando força e se solidificando. Sabe aquela célebre frase do ministro de propaganda nazista, "Uma mentira dita cem vezes torna-se verdade?". Pronto. Tem gente que começa com uma mentirinha, como brincadeira mesmo, e se esquece de voltar à realidade e acaba machucando outras pessoas. E se machucando também. Minha mãe sempre dizia: "mentira é como bola de neve", "mentira tem perna curta"... Todo mundo sabe como ela é perigosa, destrói relacionamentos, cria expectativas, decepciona... Mas ainda tem gente que não aprendeu e prefere viver uma vida falsa, de ilusões. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cine Mandacaru estreia em PE com curta produzido por jovens cineastas


Filme foi resultado de uma oficina de férias feita por jovens de 14 a 29 anos.
Mostra é gratuita e acontece nesta terça-feira, em Custódia, no Sertão.
Por Cínthia Carvalho
Jovens aprendem a manusear câmera filmadora em oficina

Na próxima terça-feira (15), a produção cinematográfica vai movimentar o município de Custódia, no Sertão de Pernambuco. A primeira edição do Cine Mandacaru tem início às 18h30, na Praça Padre Leão, no Centro. Na mostra gratuita, serão exibidos três filmes, entre eles um curta-metragem produzido por jovens da cidade sertaneja, que fica a 340 km do Recife e não dispõe de salas de cinema ou locadoras de vídeo.

O documentário ficcional “Casa das Juventudes” foi um resultado de uma oficina promovida por um projeto social do Governo do Estado, que leva o mesmo nome. A ação tem o objetivo de promover e incentivar a cultura, com a construção de espaços públicos com salas de informática, cinema, arte e outras atividades. O curso foi realizado durante as últimas férias escolares e contou com a participação de 23 jovens, com idades entre 14 a 29 anos. A maioria nunca havia entrado em uma sala de projeção antes.

De acordo com a cineasta Kel Bastos, uma das organizadoras do Cine Mandacaru, o objetivo do evento é levar mais informação sobre a produção cinematográfica aos jovens do Sertão pernambucano. “Durante as oficinas, a gente trabalhou a introdução ao cinema, porque eles não têm contato com esse cenário aqui em Custódia. Então introduzimos o cinema nacional, trazendo o tema para o universo de Pernambuco, especificamente o Sertão”, conta a também jornalista, que veio de Belo Horizonte (MG) para participar do projeto.

O curta-metragem tem um minuto e foi filmado no próprio ambiente onde aconteciam as aulas, o espaço Casa das Juventudes. “Eles produziram o roteiro, filmaram, fizeram tudo. O Cine Mandacaru é um resultado do trabalho deles. Gostaria muito que aqui em Custódia tivesse uma sala de cinema. O nosso objetivo é criar um cineclube e promover debates, mostras, oficinas sobre a produção fílmica”, afirma Kel Bastos. Junto ao publicitário e fotógrafo Pablo Murilo, Kel supervisionou os alunos em toda a produção e execução do filme.

Além do curta-metragem produzido pelos participantes da oficina, serão exibidas as produções “Menino do Catimbau”, cedido pelo Cine Sertão – Audiovisual Estudantil, de Salgueiro, e o longa-metragem “A Máquina”, do diretor pernambucano João Falcão. O evento conta, ainda, com apresentações de samba de coco, dança típica da região, e declamação de um cordel, também produzido por jovens do projeto Casa das Juventudes.

Serviço:

1º Cine Mandacaru
Dia 15 de novembro de 2011, a partir das 18h30
Praça Padre Leão, em frente à igreja matriz São José, centro de Custódia, Sertão
Entrada franca

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Brasil eliminado da Copa América - com direito a quatro pênaltis perdidos

No ritmo de "Tá vendo aquela lua"... 

"Assistindo, eu tava quieto no meu canto
O jogo foi rolando e eu me estressando
Daquele jeito que Galvão Bueno gosta
Ele se empolgando e começando a falar bosta

Tudo bem o Ganso vai, o Pato vem
Neymar pegava e não tocava pra ninguém
Seria tão bom se o Kaka estivesse ali
(Bom, bom, bom)

Ou talvez o Mano goste de sofrer,
Condenado, tá merecendo morrer
Se me desse uma chance isso iria acontecer

Refrão:
Tá vendo aquela lua que brilha lá no céu?
Elano estilou e tratou de derrubar
Se bem que o André Santos, não amoleceu,
Jesus teve que se abaixar da bomba que ele deu

Que coisa louca, eu já sabia,
Enquanto o Brasil atacava e o Paraguai se defendia
O Mano vai errar, a cobra vai fumar
Brasil se fudeu mesmo com PH e cia..."


Composição: Henrique Fonseca (muito bom, amor! kkkkkkk)




quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sem curiosidade, ninguém aprende nem ensina

"Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino". Com essa frase, Paulo Freire resume a importância da inquietação, da observação, que, segundo ele, são alimentos para o desejo de saber mais, ir além. A curiosidade faz parte do instinto humano, sendo a principal responsável pela exploração e investigação do universo.

Freire defende, em uma de suas obras sobre pedagogia, a indissociabilidade entre ensino e pesquisa, pois faz parte da natureza da prática docente indagar, buscar, pesquisar.  “Ele dizia que a curiosidade epistemológica é construída por meio do exercício crítico da capacidade de aprender. É a curiosidade que se torna metodicamente rigorosa e, se opõe à curiosidade ingênua que caracteriza o senso comum”, explica a pesquisadora Juliana Reis.

Poucos são os que usam da curiosidade para buscar uma solução, inovar, aprender além do óbvio, descobrir mais sobre um assunto que já parecia dominado. Talvez por uma questão cultural, permanecer na normalidade parece mais fácil e mais cômodo. Por esta razão, Paulo Freire propõe que esse método, do estímulo à curiosidade, seja aplicado desde pequeno, ainda nas escolas.

CRIANÇAS
“Mãe, porque o céu é azul?”, “Pai, como eu nasci?” são dúvidas comuns de uma criança que está começando a descobrir o mundo. Segundo psicólogos, essas questões começam a surgir na faixa etária entre três e seis anos – a fase dos “porquês”. Nas sábias palavras de Paulo Freire, ele dizia que: “A criança é imensamente curiosa, é esta curiosidade que a leva à busca de conhecimentos sobre o mundo que a rodeia, observando, questionando”.

Segundo Paulo Freire, a criança chega à escola carregada de conhecimentos próprios e, se bem trabalhados, facilitam todo o processo de aprendizagem. Ele explica que esse processo deve ser dinâmico, pautado no contexto da criança, e que o educador não pode querer ser o detentor do conhecimento, mas sim um mediador.

Nessa concepção, a escola é um local de apreensão crítica do conhecimento  significativo através do diálogo e do intercâmbio.  Freire afirma que: “É a escola que estimula o aluno a perguntar, a criticar, a criar, onde se propõe a construção do conhecimento coletivo, articulando o saber popular e o saber crítico, científico, mediados pelas experiências no mundo”.



ESTUDOS
De acordo com uma pesquisa realizada pelo psicólogo norte-americano Todd Kashdan, da Universidade George Mason, a curiosidade é fundamental para o bem-estar. Kashdan descobriu que pessoas curiosas apresentam níveis mais elevados de satisfação com a vida do que os demais. Outro trabalho sugere que os benefícios  da curiosidade derivam do prazer intrínseco de descobrir mais,  e uma maior probabilidade de gastar tempo com os outros.

Em psicanálise, a curiosidade se apóia em um impulso chamado “pulsão de domínio”. Os seres humanos têm a tendência de dominar os estímulos e as tensões que atingem a mente. As tensões, chamadas de pulsões, inauguram os desejos, as vontades, as motivações quando encontram um sentido dentro do psiquismo. Quando as tensões não encontram ligações na mente, ficam buscando compulsivamente uma codificação.

Quando uma tensão não encontra um sentido, ela busca ser descarregada no corpo, ou em ações sem controle. E, quando o instinto fala mais alto, essa curiosidade acaba dominando a mente. Mas nem sempre essa desejo incontrolável pelo saber é positiva.

O LADO NEGATIVO
Você sabe de onde surgiu o ditado popular “a curiosidade matou o gato”? A expressão nasceu na Europa, na Idade Média. Os gatos não eram bichos muito queridos, e os mais supersticiosos acreditavam que os gatos pretos traziam má sorte. Por isso, as pessoas preparavam armadilhas para pegá-los. Ao se aproximar para “analisar” o artefato – os animais também são curiosos -, os felinos eram capturados e mortos.

Alguns termos populares podem designar alguém demasiadamente curioso, por exemplo: xereta, bicão, intruso, enxerido, olho de tandera, metido etc. Mas quando é que a curiosidade realmente vira algo nocivo? De acordo com a psicóloga Valéria Vasconcelos, ela se torna perigosa quando está associada a sentimentos como desconfiança, insegurança, raiva e ciúme.

“Ser curioso é diferente de ser ‘bisbilhoteiro’. Quando a pessoa quer saber algo e apela para meios ilícitos ou desrespeitosos, a curiosidade passa a ser algo negativo. É normal ficar curioso, principalmente com assuntos proibidos, mas é preciso controlar as emoções e respeitar o limite ético e moral”, explica.

O fato é que essa atitude investigativa começa a ser usada como instrumento para manipulação e invasão de privacidade. Uma vendedora, que não quis se identificar, conta que já teve problemas por causa da curiosidade excessiva. “Uma vez eu abri a gaveta de um colega de trabalho e vi uns papeis. Olhei para os lados para ver se não tinha ninguém, peguei e li. Não era nada demais, mas ele chegou, me viu e o clima ficou bem chato. Perdi a confiança dele”, diz.

Casos como esse reforçam que a curiosidade é inata ao ser humano. Às vezes, a pessoa não tem a intenção de “bisbilhotar” a vida alheia, mas, ao surgir uma situação favorável, o instinto fala mais alto e a tendência é seguir com as “investigações” até conseguir as respostas.

O estudante Thiago Resende afirma que nunca teve problemas em relação a isso, mas confessa que fica muito curioso quando a pessoa “faz suspense” em um assunto interessante. E ele dá uma dica de como consegue “arrancar” confissões das pessoas: “Não chegar falando o que quero saber. Vou puxando assuntos relacionados até conseguir a resposta sem que a pessoa perceba”.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Não descansem em paz

Corpos no chão, mau cheiro, destruição, sofrimento, dor. Parece até descrição de uma guerra, mas essa é a atual situação do Instituto Médico Legal do Recife. A crise que se abate há pouco mais de uma semana - após uma gravíssima denúncia dos médicos legistas, comprovada por um vídeo amador - suscita um debate urgente, sobre um assunto que vem sendo esquecido pelas autoridades pernambucanas: saúde pública.

A determinação do Conselho Regional de Medicina (Cremepe) de interromper os serviços dos legistas como forma de protesto não foi exagerada. A decisão, certamente, trará sofrimento para muitas famílias, que não terão respostas para a morte do ente querido. Porém, tal medida estimula os demais setores da sociedade a reivindicar seus direitos. Quem sabe, agora, o Governo passará a se preocupar mais com as condições de trabalho dos nossos médicos. E também dos mortos e seus parentes.

Enquanto o impasse não é resolvido e o Governo “tranquiliza” a população transferindo corpos, diversas famílias sentem a angústia de ver parentes jogados, sem a mínima consideração, no chão de uma sala que deveria ser de exames. As dúvidas sobre a causa das mortes estão longe de serem solucionadas, assim como o problema da saúde pública no Estado. É que uma resolução do Cremepe – publicada no Diário Oficial da última quarta-feira (16) - obriga os legistas a emitirem, no laudo, a causa da morte como “indeterminada”.

Depois de afirmar que as denúncias eram “improcedentes” o secretário de Defesa Social Wilson Damázio disse, nesta semana, que seriam investidos R$ 2 milhões na reforma do IML e que as obras seriam iniciadas dentro de 90 dias. Enfim, uma boa notícia. O poder público decide tomar uma atitude, mesmo que sob pressão popular. Antes dos ânimos acalmarem, Damázio seguiu viagem para o Sertão, onde recebeu um diploma em homenagem aos serviços prestados ao Estado. Certamente, essa homenagem não partiu da população, que demonstra de todas as formas sua insatisfação e indignação diante dos “serviços prestados” pelo secretário.

O colapso no IML é apenas um dos tantos problemas encontrados na saúde pública. As UPAs - Unidades de Pronto Atendimento - vieram para, além de desafogar o fluxo nos grandes hospitais, "iludir" milhares de pessoas, muitas delas carentes, que dependem desses serviços para viver – literalmente. Sem equipamentos adequados e pouquíssimos leitos disponíveis, os hospitais têm perdido vários pacientes. Estes, por fim, são levados para o... IML. Assim não dá para descansar em paz.